23ª: BARDO

Fotografias de ensaios

Em novembro de 2018, o Projeto Performanciã e os Performers sem Fronteiras (PsF), entrevistaram idosos residentes no Retiro dos Artistas para a realização de uma performance de sombras e luz, um teatro performativo que narra histórias de vida de artistas com mais de sessenta anos, apresentando poeticamente as sombras e as luzes das vidas de seus participantes

 AÇÃO: 

Em novembro de 2018, o Projeto Performanciã  e os  Performers sem Fronteiras (PsF), em parceria  especial, visitaram a famosa instituição de longa permanência RETIRO DOS ARTISTAS , que completou seus 100 anos de atuação e história, recebendo, abrigando e dando assistência geral à vida de tantos idosos profissionais da arte.

www.retirodosartistas.org.br

O Projeto Performanciã e o Performers sem Fronteiras entrevistaram 4 idosos residentes no Retiro dos Artistas para a realização de uma performance socialmente engajada que utiliza a técnica do teatro de sombras.

As entrevistas frisaram recolher relatos e destacar momentos da vida de cada um, momentos que foram de luzes e sombras. O palco da vida!

 

Com esse material em mãos, a partir de cada detalhe transmitido pelos idosos, conectamos essas memórias de vida que tínhamos para a composição de uma trama narrativa a ser realizada no espaço do Retiro dos Artistas para todos os seus residentes, retornando com o nosso trabalho artístico meses depois de nossa primeira visita. O trabalho é um processo e terá sua estreia nesse evento.

A performance “BARDO” traz um teatro performativo que narra histórias de vida de artistas com mais de sessenta anos, apresentando poeticamente sombras e luzes das vidas de seus participantes. O título é homônimo ao de uma canção muito conhecida apresentada na Era da Rádio por Helena de Lima, uma de nossas entrevistadas. Outros idosos residentes que concederam entrevistas foram: André Oliveira (ator, bailarino e coreógrafo), Holdira Martins (circense, palhaça e irmã do cantor Herivelto Martins) e  Fernando Otero (pintor, ator e modelo).

SOBRE: 

“Tal como o tempo social acaba engolindo o individual, a percepção coletiva abrange a pessoal, dela tira sua substância singular e a estereotipa num caminho sem volta. Só os artistas podem remontar a trajetória e recompor o contorno borrado das imagens, devolvendo-nos sua nitidez."

Bosi, Ecléa. (2003). O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editorial. Página 53

 

Para olharmos para trás, nossos caminhos de vida, é preciso coragem. É preciso ser artista! Ser artista no sentido de trazer reflexões, se conectar com o que se é, superar seus desafios, trazer novas percepções sobre o que já está dado. Dar nitidez ao que é seu dentro do todo, não se perder, trazer à tona a vida, sem medos ou amarras.

 

Estar em contato com nossas sombras é importante. No envelhecer, podemos ter a oportunidade de visitar nossas memórias, refletir com maior distância sobre os fatos, relembrar e também lançar luz sobre nossas sombras. A vida é feita de momentos felizes e tristes, de vitórias e de derrotas. Rejeitar situações sem enfrentar os desafios é uma atitude que não contribui para o bem-estar e para a plenitude do idoso. Esta atividade transmite a mensagem que devemos entender que onde existe luz há sombras também. E onde há sombras, luzes podem iluminar os cantos sombrios de nossas existências – e tudo é normal e faz parte deste nosso espetáculo particular e coletivo que é a vida!

 

A atividade “BARDO” é uma performance por se enquadrar em nossos moldes de trabalho com o conceito de arte socialmente engajada. Nesta formatação de trabalho, as comunidades com as quais um artista se relaciona contribuem e participam da criação de uma atividade artística, tendo como propósito não somente a estética, mas a questão social.

 

Nesta ação, a história apresentada vem a partir da história de cada um dos nossos entrevistados, mas ela não se fecha a experiências únicas. São utilizadas imagens poéticas e metafóricas que podem ser lidas e identificadas por qualquer espectador. O teatro de sombras traz em si uma conexão com algo remoto, que todos conhecemos. Desde a Idade das Pedras os homens já se comunicavam através da sombra que o fogo produz. Jogar com as sombras, criar histórias, criar um clima de expectativa para quem assiste. Quando falta a eletricidade em casa ou na noite escura (ou como em tempos antigos, que muitos não tinham acesso à luz elétrica), quantas vezes não nos pegamos inventando sombras com nossas mãos? Quando a luz acaba, a criança pode, no primeiro momento, chorar de medo. Mas aos poucos, depois de uma vela acesa, ela descobre o jogo das sombras: o teatro está feito. A sombra encanta e nos leva a outros lugares, dentro de nós mesmos.

 

Por mais que em nossa atividade seja utilizada a técnica do teatro de sombras e esta entre em cena em nossa proposta como um espetáculo, o nosso processo responde a esse processo performativo rompendo também com a interação passiva de espectador e artista para incluir o público em uma experiência ampliada, de participação e percepções. Os espectadores, para além de assistirem a um espetáculo que utiliza uma forma muito antiga e milenar de manipulação de formas animadas (especificamente com a técnica de sombras), no final do espetáculo participam da história, compreendendo também como são operados os focos de luz e os bonecos para a realização dos efeitos produzidos.

  

A HISTÓRIA NARRADA POR LUZES E SOMBRAS: 

A história de nosso espetáculo performativo de sombras narra a trajetória de um pequeno jardineiro que mora em um planeta onde as flores estão morrendo. Mesmo com seus esforços para que se mantenham vivas, nada dá jeito. Assim o tempo passa e o menino envelhece em seu planeta com o seu jardim ressequido.

 

Como um mistério, surge uma nave de artistas, uma orquestra voadora espacial que leva o jardineiro para conhecer novos planetas e experiências. O fio condutor da história se baseia no personagem Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry, por fazer parte de uma memória importante que coletamos nas entrevistas. O coreógrafo, bailarino e ator ANDRÉ OLIVEIRA nos disse que essa é uma das histórias favoritas dele e que, certa vez, há anos, no teatro, realizou um espetáculo que tinha esta formatação da famosa história de um menino residente de um planeta distante, que cruza o universo descobrindo novos planetas. André, que reside no Retiro dos Artistas, e apaixonado por jardinagem. É o responsável pelos canteiros do espaço do Retiro dos Artistas, além de cuidar de plantas em seus aposentos e nomear cada uma delas com o nome de um artista famoso que visita a instituição. André nos narrou situações de vida em que seu jardim secou, mas agora ele é que dá vida aos canteiros de onde vive.

 

Nessas andanças pelo espaço, o jardineiro visita o planeta das Cores (onde habita o personagem inspirado no pintor FERNANDO OTERO), o planeta do Riso (onde o jardineiro encontra a alegria no encontro com uma palhaça, inspirada na vida de HOLDIRA MARTINS), o planeta da Música (onde existe um grande rádio que conversa e canta para o jardineiro canções de esperança, com a voz de HELENA DE LIMA). Assim, o velho jardineiro aprende as artes necessárias para fazer o canteiro florir em seu planeta e retorna ao seu lar com novas experiências para seguir sua vida. Estes encontros nos planetas, narrados com técnicas da linguagem do teatro de sombra, são somados a projeções e participações dos manipuladores performers nas cenas, contando com a interação performativa presente na experiência com todos o público.

 

Os idosos residentes do Retiro que participaram com suas histórias são:

- André Oliveira, bailarino e coreógrafo

- Helena de Lima, cantora da Era da Rádio Brasileira

- Holdira Martins, palhaça (irmã do cantor Herivelto)

- Fernando Otero, pintor e ator

COM PsF

(CRIAÇÃO COLETIVA):

GILSON MOTTA 

(DIREÇÃO, CRIAÇÃO DOS BONECOS E MÁSCARAS, TÉCNICAS, CENÁRIO E ILUMINAÇÃO DO ESPETÁCULO, MANIPULA EM CENA)

 

MARCELO ASTH

(TRILHA SONORA E MANIPULAÇÃO EM CENA)

TANIA ALICE

(MANIPULAÇÃO EM CENA E TRILHA SONORA)

ANA RAQUEL

(MANIPULAÇÃO EM CENA, FOTOGRAFIA, VIDEO, EDIÇÃO)

O processo ainda está em andamento e estreamos em MARÇO  de 2020 NO SÉRGIO PORTO!

Em breve, mais informações aqui!

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